@fotodaminhaautoria
Quando estás, o mar perece mais infinito, o céu parece feito de um azul mais claro e a terra, essa parece mais leve. Tão leve que não sei se a piso ou se apenas danço por cima dela, sem nunca lhe tocar realmente. Não é que as coisas se transformem quando vens, não é que o mundo entre numa metamorfose abrupta quando te aproximas - é que eu estremeço quando te vejo seguir firmemente em direção a mim. E tudo parece mudar à medida que te chegas mais perto. 

Talvez o amor não seja mais do que uma lente pela qual vemos o mundo. Talvez por isso te veja a chegar em tons de amor, numa leveza infinita que me consome, que me engole como uma onda e me arrasta para os teus braços. E se o amor é esta lente que tranforma a vista, então eu sei que nunca olharei para ti com outros olhos.
Às vezes o mundo torna-se demasiado grande para os nossos corpos. E quando damos conta os nossos caminhos já não se cruzam. Fica um espaço vazio entre nós, entre os passos que decidimos dar em direções opostas. E nesses dias, em que o mundo parece grande demais para um amor que nem sempre se aproxima, sinto que me foges pelos dedos e te escapas para um lugar qualquer. Como se as mãos que trago ao peito fossem uma casa vazia de alguém que decidiu partir. Ainda estás aqui e sinto o teu respirar a alojar-se no vazio, no espaço que se abre entre nós. Talvez o espaço que nos ultrapassa não seja maior que o medo de te ver desencostar o teu corpo do meu, num movimento brusco e inesperado. Às vezes o mundo torna-se demasiado grande para os nossos corpos, ou talvez seja o medo que se torna demasiado vertiginoso para alguém que vive à superfície de um abismo chamado amor.